quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que te faz crescer?

Hoje completa um mês que cheguei em Madrid. É impressionante como o tempo passa rápido e dá uma angústia de ver que você agora não tem mais 6, mas 5 meses pela frente. Daí a vontade de aproveitar tudo aumenta muito mais. Mas o que eu não posso dizer é que nesse último mês eu não tive história pra contar.
E como tive! Talvez não as histórias que eu imaginava contar (talvez não... não imaginava MESMO), mas tenho certeza que essas histórias não serão apagadas da minha memória. Boas ou amargas elas foram fundamentais no meu processo de reconstrução nesses dias.
Sem dúvidas tenho uma história muito boa pra contar, que começou aqui e vai crescer muuuuitoo mais, mas não posso contar ainda. No momento certo tudo será dito. Só quero deixar registrado o quanto esse ítem tem sido tão precioso pra mim e com certeza é o destaque maior desse mês.

Mas, voltando ao assunto das vivências, hoje tava conversando com a Paty e, segundo ela eu to maduro ushauashuassa... Disse que eu to falando diferente. E num foi só ela não. Eu não sei se isso de fato acontece, mas enfim... O que faz a gente de fato mudar? É o tempo, são as circunstâncias ou as experiências? Fiquei pensando nisso depois...
Dizem que o tempo cura tudo. Outros dizem: vamos dar tempo ao tempo... Outros tem medo do tempo. E ainda há quem não perceba o tempo. O tempo em si não muda não. Não muda ninguém. Tem tanta gente que busca no tempo a cura pra uma série de sentimentos e vivências, mas no fim está da mesma forma que antes.
As circunstãncias e as experiências também não mudam ninguém por si só. Tem gente que pira quando a coisa aperta. Depois tudo muda, mas o aprendizado foi nulo. Eu não sou o melhor exemplo pra dizer que aprendo com as circunstâncias. Quem me conhece sabe como eu sou dramático diante de algumas coisas. Não vou dizer que eu não aprendo nada com o que eu vivo - e olha que já vivi um bocado de coisa heavy - mas acho que já tive oportunidades de aprender mais.
Acho que no fim, o aprendizado não vem pelo tempo ou pela circunstância em si, mas da maneira como você escolhe atuar diante das duas coisas. A gente sempre tem opções. Diante de cada coisa é preciso pensar como escolho viver isso? Como quero lembrar disso ? Eu acho que é isso que to aprendendo a fazer no fim das contas. Escolher a boa parte. Não se trata de ser Poliana e ver tudo com olhinhos positivos. Mas sim, parar de pensar que o que é ruim tá contra mim e o mundo me odeia. Quando a gente faz isso a gente perde a oportunidade de crescer diante do que a vida nos apresenta.
Ta bem... pode ser estranho EU falando essas coisas ushsauhassa. Mas eu não posso me esquivar disso que to sentindo. No fim, foi bom. Minhas experiências com Deus. Estreitar meus laços familiares. Por incrivel que pareça to falando mais com meus amigos mais chegados do que antes. Não perdi meu contato com minhas amigas da Shakespeare a quem tanto amo. A surpresa - que também alegra todos os meus dias - foi mais um ponto. A faculdade ta PER-FEI-TA. Os amigos que fiz aqui. As batalhas intermináveis com o banco, as minhas maluquices e os meus desastres. São pequenas coisas que, no todo, formam uma coisa grande que aprendi a chamar de vida =)

Beijos pessoal, prometo voltar mais vezes aqui.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dias melhores =)








Estes últimos dias tem sido muito bons. As aulas começaram a todo vapor e já estou entupido de tarefas e textos e livros e trabalhos kkk... Não que isso seja bom, mas fico feliz em poder estar livre e sem problemas e assim, poder passar um dia inteiro, por exemplo, na biblioteca ou em casa estudando. Ter solucionado meus problemas financeiros - ou ter pelo menos finalizado os procedimentos que garantirão o fim deles - foi a melhor coisa que fiz semana passada.
Estou fazendo 4 matérias. Duas delas não eram minha primeira opção no momento em que saí do Brasil. A questão é que chegando aqui, elas coincidiam nos horários e tive que optar. Acabou que no fim, as 4 que estou cursando são disciplinas mistas, que mesclam fundamentação e prática. Me darão MUITO suporte em termos de prática como professor, prática metodológica. Porque a Faculdade de Educação em Comillas é TOTALMENTE voltada pra sala de aula. Forma de fato professores. Não que isso seja ruim, é uma opção. São coerentes no que fazem e isso vai me beneficiar muito. Tive um pequeno problema com um professor de uma das matérias, que tem uma postura um tanto quanto autoritária, mas espero quenão seja persegui
do por ele por causa do meu embate hahahaha (ta bem, eu sei que to ferrado agora).
As turmas em que faço as matérias são MUITO legais. Fui totalmente acolhido, integrado aos grupos. Participo nas aulas - té pq não seguro minha lingua nem em espanhol. Por falar em espanhol... TO SONHANDO EM ESPANHOL hahahahahaha... Mt legal. As vezes penso tbm, involuntariamente. Sem falar nas gírias, que acabo mesclando-as junto ao portugues, quando falo com o Felipe ou o pessoal da UAM.
Falando neles, essa última semana foi a semana deles. Felipe veio aqui em casa no domingo passado cozinhar. Comemos até não aguentar mais. O pessoal da UAM eu consegui encontrar essa semana tbm. O Vitor foi o primeiro, com quem pude FINALMENTE conhecer a cidade onde vivo. Saí da universidade, encontrei com ele num café e fomos andando pela Calle de la Princesa, passamos pela Plaza de España, el Palácio e la catedral, fomos ao Mercado San Miguel, onde vendem vários petiscos que eles chamam de Tapas. Tudo a 1 euro. É muito bom e muito difícil parar de comer. De lá fomos pra Plaza Mayor, onde assistimos a uma apresentação de dança flamenca, passamos por Sol, comemos mais no Museo del Jamon - Uma loja de presunto, onde é tudo muuuuitoo barato e muito bom - passamos pelo Museo do Prado, Atocha e lá pegamos a Renfe para ir de trem até uma loja de esportes. Comprei um casaco pra neve, que no Brasil custaria um absurdo e aqui eu paguei 30 euros hahahaha. No outro dia, fomos todos (eu, Vitor, Suani, André e Manu) para Cercedilla e Navecerrada em busca de neve. Não a encontramos em grande quantidade. Mas a paisagem e os momentos que vivemos ficarão intactos na minha memória. Foram horas de muito riso, caminhada e mais risos. Desde trem que passou direto pela gente, até bonecos de neve (e braços de bonecos de neve né Suani?). Fizemos um boneco de neve mt fofo e o batizamos de Compro Oro, que é a frase que mais ouvimos aqui quando passemos pelo centro. E quanto ao nosso comportamento na neve... Pense num Mineiro quando vê o mar pela primera vez... Foi a nossa reação hahahaha. A noite fomos todos daqui e mais Imanol (filho da Emi) e seus amigos para um Pub. Saí com Vitor e Suani na madrugada congelada, compramos pizzas, sentamos em Sol num chafariz e comemos.
No meio disso tudo esqueci de dizer que GANHEI IRMÃOS hahahaha. Quinta feira chegaram Estefano e Federica. Dois estudantes Italianos que agora habitan na Calle Diana, 1, junto comigo. Posto aqui algumas fotos dessa semana tão legal.

Beijos!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O mercado, o alarme, a fechadura e o primeiro dia de aula.

Agora que criei o blog, tudo de lambança ou maluquice que eu faço já fico pensando: isso eu vou ter que postar lá. É bom porque assim eu não esqueço e ainda contribuo pra risada da galera que não vive sem minhas piadas e minhas gafes.
Então vamo lá:
As coisas aqui em casa estavam acabando e eu precisava comprar comida. Afinal de contas tava vivendo a base de coisas rapidas e isso não faz mt bem. Daí resolvi que ia no mercado. Peguei meu casaco, tranquei a casa e fui andando pois o mercado não fica muito longe daqui. Mais uma vez esqueci minhas sacolas retornáveis em casa e aqui vc paga por cada sacola plástica que usa. É bom porque conscientiza, mas eu... tenho a consciência afetada pela falta de memória =/
O mercado é pequeno mas cheio de frescuras. Logo na entrada tinha uma roleta. Passei por ela e entrei logo buscando por um carrinho. Mas não tinha carrinho, nem cestinha, nem nada. Estavam todos do lado de fora. Aíííí, eeeuu, na minha inteligência, fui tentar voltar pela mesma roleta, pois não vi a outra saída. A roleta podia simplesmente não rodar. Certo? ERRADO! A roleta não só não rodou como fez soar um alarme por todo mercado, mais ou menos assim: PEEEEEMMM PEEEEEMMM PEEEEEEMMM PEEEMMM. Eu vi a hora que luzes vermelhas iam invadir o mercado e soldados do BOPE iam descer por cordinhas. Meldes. Fiquei totalmente sem ação diante daquele som absurdo e nem preciso dizer que mais uma vez TODOS os madrilenhos, imigrantes, cachorros e pulgas olharam pra minha cara. Dei aquele sorriso amarelo, pensando comigo mesmo: como eu ia saber, gente? Daí veio um menino de uns 15 anos, que trabalha no mercado e com toda a calma disse que a saída era pelo outro lado. Enfim... Comprei comida. Cozinhar é muito legal e sempre gostei. Poder cozinhar aquilo que te dá na telha é melhor ainda. Ainda fiz um quase "Mais Você" com os amigos pelo msn e skype hahaha, foi muito engraçado.
No dia seguinte seria meu primeiro dia de aula. Entrar 12:40 na aula não tem preço. Disso eu não sinto saudades do Brasil. Não quero nunca mais acordar as 5 da manhã hahahaha. Enquanto eu me arrumava, meio que apressado, fui colocando as coisas na mochila e só me restavam o notebook e a pasta com alguns papeis da universidade (horario e sala de aula, essas coisas). Na correria fechei a porta do quarto e quando tentei a abrir... ela não abria. Eu estava do lado de fora do quarto, meu note e meus papeis dentro, a luz acesa e eu pra fora . Minha salvação era que minha mochila tava lá embaixo, na sala. Caso contrário nem mochila eu teria. A porta não abriu de nenhum jeito. Minha chave era como se não fosse feita pra porta. Desesperei né? Como vou explicar isso? Como vou chamar chaveiro agora? Num dá. Fui pra aula e larguei tudo lá daquele jeito hahahaha... Quando voltei - pedindo a Deus pra porta abrir - tentei de todas as formas possiveis abrir aquela bendita. Até que uma vozinha falou no meu ouvido: experimente usar as chaves dos outros quartos. Daí fui lá fazer isso. E não é que consegui? Moral da história: as chaves estavam trocadas. Não ia abrir nunca, pois aquela chave nunca foi do meu quarto. E quanto ao primeiro dia de aula? Fui assistir a disciplina de diversidade e inclusão. Quando cheguei na sala e perguntei sobre a materia, fui recebido com um silêncio absurdo. A menina só conseguiu balançar a cabeça positivamente. hahahahahahaha MORRI... SÓ TINHA MULHER NA SALA. Mulher não, menina, tipo: 18 anos, estudo na PUC e faço Relações Internacionais. Acho que nunca entrou um garoto naquela turma hahahahahahaha... E olha logo pra quem que elas vão olhar: pra mim! hahahaha Com tanto menino bonito aqui. Acho que é a escassez de homem na educação. Dá nisso. hahaha A aula é perfeita, o professor é muito figura. O Felipe tbm faz essa aula, chegou atrasado e teve uma crise de tosse que acho que Madrid inteira ouviu. Bom, esses são os relatos mais engraçados dos meus últimos dias aqui em Madrid. É impressionante como eu consigo fazer tanta coisa engraçada em pouco tempo. Agora que eu paro pra escrever é que me dou conta disso. Se alguém me contasse, eu não acreditaria.

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