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domingo, 6 de março de 2011

Ninguém pode negar!






Gosto de ficar um tempo sem escrever aqui. Porque assim quando venho tenho o que contar. Se eu posto todos os dias, ficam monótono. Se eu fosse essas celebridades do twitter até rolava, mas como num sou Luciano Huck, Preta Gil e nem o Bonner, fico esperando coisa legal pra contar. Mas vamo lá. A semana que passou foi, em todos os sentidos, inesquecível.
Pra começar, na segunda feira minha vó ia finalmente depositar o dinheiro da mina bolsa na conta que eu abri aqui em Madrid. Depois de um milhão de burocracias, esperas pelo cartão e depois de fazer uma transferência da minha conta no Brasil pra conta dela, enfim ia ter meu dinheiro de volta. Mas, como sou o Phillipi, aquele que deixou a sorte na alfândega quando chegou na Europa, não ia ser tão fácil assim. Segundo a gerente do Santander no Rio, o dinheiro chegaria no mesmo dia. Tolinha... Na terça feira o processo ainda não tinha sido concluído. Na quarta fui no caixa e não havia nada. Na quinta fui lá e me extrato saiu: 1,28 (um euro e vinte oito centimos). Bom né? Pego nem um ônibus com isso aqui. E quanto as aulas? Tive que tirar férias forçadas. Ta bom, vou explicar. Eu tinha um dinheiro no banco, pq tive que depositar 100 euros na conta pra abrí-la. Só que eu comprei comida no cartão de crédito. E eu, como sou uma MULA, não pedi crédito e as mocinhas simpáticas debitaram da minha conta. Logo: o dinheiro que teria pra ir pra aula eu não tive. OK... Sem dinheiro, sem aula e com faltas. Coisa linda de Deus... Mandei e mails pra todos os professores avisando e fiquei em casa. Orando, estudando, e indo no caixa eletrônico. Minha rotina LITERALMENTE foi essa a semana inteira. Na sexta feira eu fui no caixa. Se não chegasse eu tava mal. A Vivian, parceira do Fórmula Santander chegaria nesse dia, tinha que buscar ela no aeroporto e, pra completar, era o dia do pagamento do aluguel. Fui no caixa - e no trajeto começou a nevar na minha cabeça - e chegando lá o caixa tava congelado =)
Entrei no banco e o caixa não lia meu cartão! Aí eu disse: não precisava, coração!!! EU AGORA ALÉM DE NÃO TER DINHEIRO A SEMANA TODA ACABO DE GANHAR O DIREITO DE NÃO SABER SE ELE CHEGOU, PORQUE MEU CARTÃO NÃO É LIDO! Fui falar com a gerente. Daí ela: vai lá no caixa sacar. E eu: mas é que eu num sei se chegou (igual criança perdida querendo saber onde tá a mãe)... E ela: chegou sim. Vai lá sacar. E eu: caí da cadeira congelado junto com o caixa eletrônico.
Cara, valeu a pena. valeu a pena esperar, confiar, chorar, mas não sair do propósito. Valeu a pena acreditar que isso ia dar certo se já de antemão eu sabia que ia dar. Genteeeee, Deus existe! E não falo isso da boca pra fora. A sensação que eu tive foi muito forte, quando eu vi aquilo acontecer. Não só porque era dinheiro. Podia ser qlqr coisa. Mas alí, o dinheiro seria essencial pra minha subsistência. E tudo deu certo no seu tempo. Saquei dinheiro, busquei vivi no aeroporto e segunda pagarei o aluguel.
Quanto a Vivi, ela me proporcionou o melhor fim de semana da minha vida madrileña. Saímos TODOS os dias. Fomos aos 100 montaditos, um bar onde vende 100 tipos diferentes de petiscos, fomos ver as festas de carnaval -sim, aqui tem carnaval e não é como o Rio- rodamos Madrid INTEIRA. E, como não podia ser diferente já que ela tem alma de japonês, ela tirou 1 milhão de fotos. Levei ela pra sair com a galera daqui (meus irmãos italianos, meus amigos espanhois e a galera da PUC que vive aqui). Além disso, nos reunimos com o Filipe, o outro ganhador da bolsa e foi muito legal conhecer o Museu do Prado junto com eles.
Vivian comeu minha caixa de picolés inteiraaaaa, cabou com a minha vida. Mas tem volta, vou comer os doces portugueses tooodos e colocar na conta dela em Coimbra. hahahahaha...
Quanto ao carnaval, o lance aqui é a fantasia. A galera capricha, té porque o frio ajuda. Não é como no Rio. Não tem samba, não tem mulher pelada uashsauhsa e , infelizmente, não tem o calor e nem os amigos. Mas os amigos daqui fizeram a festa muito especial. Destaque pro aniversário do Estefano. Cantamos Estefano é um bom camarada em português, italiano, espanhol, arriscamos alemão ... tudo isso no meio da rua. Acho que eu nunca me diverti tanto e nunca agreguei tantos amigos de tantos mundos diferentes. Brasileiros, italianos, espanhois, franceses, mexicanos... esse fds teve de tudo. Termino essa semana com a certeza da chegada da primavera, nas flores das ruas e parques de Madrid e também na minha vida. O inverno acabou e ninguém pode negar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que te faz crescer?

Hoje completa um mês que cheguei em Madrid. É impressionante como o tempo passa rápido e dá uma angústia de ver que você agora não tem mais 6, mas 5 meses pela frente. Daí a vontade de aproveitar tudo aumenta muito mais. Mas o que eu não posso dizer é que nesse último mês eu não tive história pra contar.
E como tive! Talvez não as histórias que eu imaginava contar (talvez não... não imaginava MESMO), mas tenho certeza que essas histórias não serão apagadas da minha memória. Boas ou amargas elas foram fundamentais no meu processo de reconstrução nesses dias.
Sem dúvidas tenho uma história muito boa pra contar, que começou aqui e vai crescer muuuuitoo mais, mas não posso contar ainda. No momento certo tudo será dito. Só quero deixar registrado o quanto esse ítem tem sido tão precioso pra mim e com certeza é o destaque maior desse mês.

Mas, voltando ao assunto das vivências, hoje tava conversando com a Paty e, segundo ela eu to maduro ushauashuassa... Disse que eu to falando diferente. E num foi só ela não. Eu não sei se isso de fato acontece, mas enfim... O que faz a gente de fato mudar? É o tempo, são as circunstâncias ou as experiências? Fiquei pensando nisso depois...
Dizem que o tempo cura tudo. Outros dizem: vamos dar tempo ao tempo... Outros tem medo do tempo. E ainda há quem não perceba o tempo. O tempo em si não muda não. Não muda ninguém. Tem tanta gente que busca no tempo a cura pra uma série de sentimentos e vivências, mas no fim está da mesma forma que antes.
As circunstãncias e as experiências também não mudam ninguém por si só. Tem gente que pira quando a coisa aperta. Depois tudo muda, mas o aprendizado foi nulo. Eu não sou o melhor exemplo pra dizer que aprendo com as circunstâncias. Quem me conhece sabe como eu sou dramático diante de algumas coisas. Não vou dizer que eu não aprendo nada com o que eu vivo - e olha que já vivi um bocado de coisa heavy - mas acho que já tive oportunidades de aprender mais.
Acho que no fim, o aprendizado não vem pelo tempo ou pela circunstância em si, mas da maneira como você escolhe atuar diante das duas coisas. A gente sempre tem opções. Diante de cada coisa é preciso pensar como escolho viver isso? Como quero lembrar disso ? Eu acho que é isso que to aprendendo a fazer no fim das contas. Escolher a boa parte. Não se trata de ser Poliana e ver tudo com olhinhos positivos. Mas sim, parar de pensar que o que é ruim tá contra mim e o mundo me odeia. Quando a gente faz isso a gente perde a oportunidade de crescer diante do que a vida nos apresenta.
Ta bem... pode ser estranho EU falando essas coisas ushsauhassa. Mas eu não posso me esquivar disso que to sentindo. No fim, foi bom. Minhas experiências com Deus. Estreitar meus laços familiares. Por incrivel que pareça to falando mais com meus amigos mais chegados do que antes. Não perdi meu contato com minhas amigas da Shakespeare a quem tanto amo. A surpresa - que também alegra todos os meus dias - foi mais um ponto. A faculdade ta PER-FEI-TA. Os amigos que fiz aqui. As batalhas intermináveis com o banco, as minhas maluquices e os meus desastres. São pequenas coisas que, no todo, formam uma coisa grande que aprendi a chamar de vida =)

Beijos pessoal, prometo voltar mais vezes aqui.